



O apanhador no campo dos sintomas
O
Dr. Vitor Menescal, do Instituto de
Homeopatia James Tyler Kent,
escola que possui a
visão kentiana
das doenças e que é
assessorado pelo prof. Alfonso
Masi Elizalde, da Argentina, escreveu o artigo
Enfermo, Enfermidades e
Sintomas , inspirando-se na
obra do
escritor norte
americano Jerome David Salinger,
colocou um sub-título de O
Apanhador no Campo de
Sintomas.
Como
ocorre para Kent e Elizalde, para Menescal os
sintomas deixam de ser
sintomas para passarem a
ser algo a ser
interpretado. Acrescentado agora, à subjetividade
do paciente, toda a
subjetividade do praticante. O Repertório
não pode ser utilizado
diretamente, pois deve
passar antes
pela idéia e
adivinhação do
homeopata antes de
ser realmente
levado ao livro de
prescrição. Fugindo da
objetividade da
moderna medicina
científica, se usa a
tentativa de descobrir
dentro das palavras
fenômenos ocultos para
interpretar de forma
divinatória o quadro,
a drug picture
do indivíduo para se
encaixar naquilo que
ele interpreta ser o
quadro da droga. Deixa-se de
pisar no terreno da
objetividade, da demonstração, da
evidência para se
tentar acertar um
diagnóstico mais
subjetivo ainda.
Não mais se
pensa de forma pseudocientífica,
de uma ação drogal mágica agindo
pelo princípio da
ação primária e
secundária mas
passa a ter
cada sintoma
sua própria e
total subjetividade. O
uso apregoado do
Repertório ser usado
pela descoberta dos
sintomas
correspondentes passa
a ser considerado um
“vício repertorial”.
A “ilusão de ser insultado” do Palladium,
por exemplo, é inteiramente diferente de Alcoholus.
Então o sintoma
não mais possui uma
determinação na
prescrição, uma hierarquia,
mas uma mensagem
oculta que deve ser
descoberta, adivinhada, interpretada. E
como “não há indivíduos sãos miasmaticamente”,
ou seja, não há o
almejado equilíbrio
vital, todos podem e
devem ser tratados
com os maravilhosos
preparados perfeitos placebos
que sempre promovem
curas espetaculares
dentro deste efeito
universal, a verdadeira e única
lei universal da
homeopatia que se
consegue em
TRIALs.
A
semelhança com o
personagem adolescente
do livro O
Apanhador no Campo de Centeio é
muito correspondente.
Primeiro, por
não ter uma
base científica,
mas apenas
literária, romântica, oculta. E a
forma de praticar a
clínica é tão
irracional como o
perdido personagem do
livro vivia. Deve ser
muito apreciado o
autor pela
sua adesão
leiga a prática
homeopática, o seu
consumo da própria
urina e a sua
vida mental
precária, conforme
relata sua filha .
Eu
vejo, tomando a liberdade
literária do autor,
mais semelhança
com o título de Milan
Kundera, A Insustentável Leveza do Ser. A
total subjetividade da
doutrina voltada para
si, como o
personagem principal do
romance, alienado na
busca de seu
egoísmo próprio
alheio ao mundo
político (científico)
em volta
que demonstra a sua
impossibilidade total.
Além da vantagem de
termos, no caso do
filme, Juliette Binoche para
nos encantarmos.


