FANTÁSTICO & HOMEOPATIAO perigo de se estar erradoPaulo Bento Bandarra"Fora deste sistema sublime, pairando além de toda experiência,
a prática homeopática não pode obter nada vantajoso para o tratamento
real. Assim continua seu curso confiante na cabeceira da cama do doente de
acordo com a prescrição tradicional de seus livros contando-lhes como os
homeopatas têm até agora tratado, e em conformidade com o método de suas
autoridades práticas, indiferente, como eles, sobre o ensino da experiência
orientado pela natureza , indiferentes da razão de seu tratamento, e muito
contentes com a chave da prática fácil - o livro de prescrição".
Parafraseando Hahnemann. PREFACE TO THE SECOND EDITION, SAMUEL HAHNEMANN,
LEIPZIG, end of the year 1818
Quando o jornalista se comporta como divulgador de informação,
assume a responsabilidade por ela. Não pode deixar toda a culpa apenas para a
fonte, principalmente quando ele mesmo poderia ter confirmado, ou ainda, deveria
ter se preparado para fazer a matéria com total proficiência. É o que abordou no
OI na semana passada o Biólogo de Florianópolis Alexandre Carlos Aguiar
[remissão abaixo] [1].Quando existe um método investigativo que nos dá a
resposta, não é desculpável que dele não se faça uso e se difunda, por esta
falha, informações que possam por em perigo os leitores. "O jornalista é o
profissional que tem capacidade e competência para operar códigos e técnicas de
conformação discursiva do real em um ambiente onde a credibilidade de quem
enuncia é fator determinante." [2] E quem enuncia tem a sua parcela de culpa
pelas conseqüências. Não pode se eximir da sua ação se não usou o método
adequado. "Com a imprensa chancelando tudo, graças aos jornalistas
preguiçosos que lêem apenas orelhas de livros, têm preguiça de estudar, não
sabem se impor porque não têm cultura, ou porque levam o jornalismo como
emprego, não como missão."[3]
Quando o jornalista está especulando
sobre a homossexualidade e a herança genética, sobre as possibilidades da cura
das doenças no futuro pelo entendimento do DNA, ele está projetando as
probabilidades que ninguém sabe como será. Mas quando abandona o conhecimento
passado para ressuscitar assombrações, gnomos e falácias, está cometendo o
pecado da ignorância. Nesta hora, não tem perdão. A não ser que apresente
sólidas evidências, está fazendo um desserviço ao leitor, só não percebido pelo
mesmo por estar sendo desinformado pela mídia. Este engano começa já na
faculdade que tem grande capacidade no ensino do jornalismo, mas não o prepara
para a vida. Um exemplo do que pode resultar esta inapetência para o assunto
está expresso no artigo de acadêmicos: O Status Científico da Homeopatia
(<http://www.ifi.unicamp.br/~knobel/radar/newspro/fullnews.cgi?newsid1065445225,44417>,)
que conclui: "A classificação da homeopatia como ciência depende,
evidentemente, da satisfação dos requisitos de adequação empírica e
progressividade. No entanto, sua classificação como Programa Científico de
Pesquisa é possível, pois o princípio básico da homeopatia e suas leis
complementares podem ser considerados o ‘núcleo’, e o conjunto de leis
auxiliares o ‘cinturão protetor’ do modelo teórico de Lakatos." Demonstram
que desconhecem totalmente uma evidência necessária e suficiente que ela não tem
ao não comprovar efetividade, alegar leis inexistentes e falhar em mostrar sua
base como mostrado no Programa FANTÁSTICO, feita pela isenta Royal
Society. Não adianta um discurso se o objetivo não se realiza. Ignoram que
ela contraria, além disto, todos os princípios da epidemiologia, da física e da
química. Assim, seguem o raciocínio do autor e caem no mesmo erro dele sem se
darem conta aonde o mesmo os estavam conduzindo (Ou queriam ir espontaneamente
por simpatia).
Exemplos
Mas o FANTÁSTICO, na sua metodologia de
trocar a avaliação científica (evidência de resultado) pelo "testemunho"
emotivo, apresenta um depoimento de uma simpática mocinha que atribui com toda a
fé à sua "cura" pela homeopatia de nada menos do que uma "aplasia de
medula " (Doença grave que
sempre altera o sangue periférico, com pancitopenia grave. Cinqüenta
porcento de mortalidade e super difícil de tratar-). Vanessa continuou indo
ao hematologista, mas nunca contou a ele que também usava homeopatia. Mas
tem certeza que foi a homeopatia funcionou. Pois sim! Como no caso do município
de Maranguape, no Ceará, que atribuíam a cura a benzedeira e não aos sais de
hidratação oral.[4]
O programa não mede o risco de vender esta falsa
idéia (por não ter evidência científica inferindo isto) levando pessoas a
abandonarem o tratamento comprovado para perderem tempo tentando o milagre das
águas. Torna-se neste momento um cúmplice da desinformação ao não sair atrás do
conhecimento correto e avaliar se esta alegação é plausível e se tem respaldo na
literatura internacional. Como afirmamos anteriormente, uma comprovação destas
garantiria um milhão de dólares e, mais importante ainda, o Prêmio Nobel. E como
se comprova? Demonstrando a reprodutibilidade da cura alegada em outros
pacientes, é óbvio.
Outro exemplo de jornalismo inconseqüente, contendo
informação como esta, encontramos no caderno VIDA N° 551 do Jornal Zero
Hora, numa bonita reportagem em página dupla inteira e colorida, na
qual não faltou a "testemunha" solitária e sua família, onde é garantido que:
"Em uma crise aguda, com infecção respiratória, a alopatia pode usar um
antibiótico, um antiinflamatório, um broncodilatador, um antitérmico, um
corticóide, mais a nebulização. A homeopatia usa somente um medicamento, o que
diminui o custo do tratamento"; "Fontes: homeopatas Alba Henkin e Universina
Ramos, Sociedade Gaúcha de Homeopatia". E se não for verdade? E se é real, por
que não saiu o jornalista correndo atrás do Conselho, da Sociedade de Pediatria,
da Sociedade de Pneumologia para saber por que se estava usando tanta medicação
desnecessária e perigosa? Isto é notícia! A escolha de qual das duas atitudes
afirmadas nos dois casos deve se basear na evidência de resultado, na
comprovação do tratamento. Mas quem optou por fazer homeopatia tem muita fé, mas
abandonou a busca de evidência há muito tempo. E isto não é ciência como querem
parecer, mas pura crença.A AMHB
pensou em censurarNo SITE da
Associação Medica Homeopática Brasileira (AMHB) está divulgado aos seus
associados que a sua direção pensou em tentar impedir o programa FANTÁSTICO de
ir ao ar para que seus telespectadores não tivessem acesso a informação da
situação da prática no mundo e o grau de comprovação do que apregoam. Eu já
achei que falharam ao não explorarem as possibilidades de esclarecimento
completo. Os editores do programa deviam ter indagado qual é a posição em
relação da Homeopatia da American Medical Association, do FDA, da
Académie Nationale de Médecine na França, da
British Medical Association, Canadian Medical Association, Australian Medical Association, da Ordem dos Médicos de Portugal, etc; para se
verificar que nenhuma destas sociedades, tirante o Brasil, reconheceram a
Homeopatia como fazendo parte da medicina. Usar afirmações de evidências baseadas na garantia
pessoal.Podemos
perguntar "Se o efeito da homeopatia é psicológico, como se explica a eficácia
do tratamento do veterinário homeopata com cachorros, cavalos e outros animais?"
Mas quem disse que funciona em veterinária? Se os resultados não são medidos em
parâmetros objetivos, não se pode afirmar isto. Não foi isto que a medicina fez
durante dois mil anos? Hoje sabemos que praticamente foram inúteis a quase
totalidade daqueles tratamentos. Os veterinários, que encontraram animais mais
semelhantes aos humanos que do que estes entre si, afirmam que se funciona nos
humanos, funciona nos animais. No entanto os próprios veterinários homeopatas
afirmam que "Embora a homeopatia tenha um uso prático bastante amplo, ela ainda
carece de base científica para a sua eficácia clínica na medicina veterinária.
Essa base vem sendo exigida há muito tempo, tanto pelos críticos como pelos
adeptos da homeopatia [Löscher 1992; Schütte 1994]" [Pesquisa clínica em homeopatia veterinária
B. Rüdinger REF:
Traduzido da revista HOMINT R&D Newsletter - 2/1998, p.19/22]. Não é por dados objetivos de pesquisa que
se afirma isto no programa, mas por uma série de melhorias higiênico-dietéticas
que se apregoa que seja resultado da homeopatia. Além disto, se funcionasse em
veterinária, seria apenas mistificação tanta conversa desnecessária com o
paciente, já que é totalmente dispensável. Pois até tem gente achando plantas
mais semelhantes com pessoas doentes do que dois humanos entre si para usar
homeopatia. Qual o "pecado original" (Dr. James Tyler Kent (1849 - 1910), Dr. Alfonso MASI-ELIZALDE
(1932-2003)) que poderia ser atribuído aos animais para tratarmos os seus
distúrbios da alma? Já que efeito farmacológico não existe. Como mencionei na
semana passada, existe um plasmódio que serve de modelo animal em ratos para
teste de medicamentos contra malária, o Plasmodium chabaudi (Landau e A.
Chabaud, 1965). Por que não foi demonstrado ainda a cura da malária e levado o
um milhão de dólares de prêmio e certamente o Prêmio Nobel? Troca da evidência científica pela opinião
pessoalO professor de Homeopatia
Flávio Dantas, conforme o FANTÁSTICO, seria o único professor-titular de
Homeopatia em uma universidade pública brasileira, pertencente da Universidade
Federal de Uberlândia em Minas Gerais, que afirma: "Na minha experiência, a
homeopatia funciona muito bem em problemas alérgicos, em rinites
alérgicas.(os trabalhos não evidenciam isto) A homeopatia funciona, na
maior parte dos pacientes, como uma reposta que eles não tinham obtido com o
tratamento convencional" (?). Voltamos ao tempo do "achismo", em que cada
profissional pode apregoar o que quiser sem precisar esperar evidências. E no
caso, pior, se abandona as evidências por preferências de crença descartando o
comprovado. Contesta também, o professor Dantas, que homeopatia não seria
placebo por ser sem gosto, sem cor e barato. O que nos preocupa que isto seja
usado por um professor para garantir eficácia. A água benta e a água "fluída"
dos centro espíritas tem muito mais destas qualidades e são apenas placebo.
(Quem tiver prova em contrário se candidate ao prêmio). Num trabalho clássico de
Cobb et al, em 1958, ele demonstrou que a ligadura da mamária interna para
tratar angina do peito era apenas uma ação placebo pela cirurgia. Enfiar uma
agulha numa pessoa não é. Mas se você disser que esta agulhada é uma técnica de
cinco mil anos, que curava tudo na China e que tem comprovação científica (mesmo
não tendo), ela passa a ter efeito placebo. E isto a homeopatia tem. Uma
história ligada ao esoterismo e a propriedades místicas, ao tratamento da alma
espiritual como a verdadeira origem das doenças. O que confirma que é placebo é
a sua incapacidade de curar coisas objetivas (malária, tuberculose, sífilis,
câncer, parada cardíaca,...).Pergunta erradaO
repórter perguntou ao professor Dantas como a homeopatia funcionava. Respondida
pelo mesmo que não tinha explicação ainda. Mas a pergunta está errada. A
pergunta que qualquer coisa que se proponha a ser tratamento deve responder é:
qual a evidência de que funciona? Principalmente quando pessoas de avental
branco estão mandando os pacientes abandonarem o tratamento para pneumonia,
medicação para Mal de Parkinson, abandonar medicação psiquiátrica ou parar
tratamento "aplasia de medula". Se a imprensa, o Conselho Federal de Medicina, o
Conselho Federal de Farmácia e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA) deixarem de cumprir, como estão, o conhecimento científico para se
guiarem, claro que estas coisas se mantêm por longo tempo dentro da livre
liberdade de apregoar barbaridades. A ANVISA, além de dispensar a Homeopatia de
provar as propriedades medicinais de suas apresentações, a pedido dos mesmo em
detrimento do contribuinte, ainda lhes garantiu dentro do Brasil a reserva de
mercado não existente em nenhum lugar no mundo. Aquilo que foi praticado dentro
dos centro espíritas por quase cento e cinqüenta anos, a prescrição da
homeopatia orientado por Hahnemann (como pelo Dr Fritz nas cirurgias), agora é
privativo apenas de homeopatas que possuam diploma de medicina. Isto que em todo
o mundo os praticantes leigos e escolas são em muito maior número com a mesma
alegada proficiência. O Sr. José Alberto Moreno, professor de homeopatia (não
médico) e o emérito médico homeopata Doutor Marcus Zulian Teixeira, somado a
ATENEMG (Associação de Terapeutas Energéticos e Naturistas do Estado de Minas
Gerais), que visa a harmonização espiritual, energética, mental, emocional e
física das pessoas comandada pelo Agrônomo Vicente Wagner Dias Casali Professor
de Homeopatia da UFV (Universidade Federal de Viçosa) se digladiam os três
grupos no direito de prescreverem estes preparados.
E ainda acusam os
interesses da grande indústria de estar por trás do combate a esta prática,
quando o lucro obtido com a homeopatia é de cem por cento. De um ml de
solução mãe, o Laboratório BOIRON produz
milhões de frasco de Oscillococcinum (auto lisado filtrado de
fígado e coração de pato [Anas barbarie]) do mais puro lucro e zero de
comprovação.Falha anterior na
Rede ABCUm teste semelhante na
qual tropeçou a BBC, a modificação apregoada pelo Professor Madeleine Ennis da
Queen's University Belfast do trabalho de Benveniste, foi realizado pelo
segmento televisivo ABC's 20/20, e já havia falhado com o homeopata Dana
Ullmann, maior terapeuta e escritor de homeopatia dos EUA, em teste sobre a sua
orientação técnica.
Quanto ao triste fim do Dr. Jacques Benveniste,
acabou ganhando dois prêmios IG NOBEL (1991 e 1998), que são dados às piores
pesquisas (e pesquisadores) do mundo, só ele mesmo se achava candidato ao Prêmio
Nobel. Mas quando colocou todas as suas fichas em provar a existência de pêlo em
casca de ovo ou chifre em cabeça de mula, quando achou que "a idéia de
diluição" era só um preconceito, acabou no lugar a qual pertencia. Como
achar efeito daquilo que não demonstre cura (alvo do desafio do Mr. Randi)? Se
tivesse perdido um pouco de tempo estudando as bases científicas e históricas,
não teria passado o constrangimento e a perda de
credibilidade.[1] MÍDIA E RELIGIÃO Em nossas cabeçasAlexandre Carlos Aguiar, biólogo,
Florianópolis[2] DIPLOMA EM XEQUEA agonia da notícia e o risco para o
jornalistaMozahir
Salomão[3] ENTREVISTA
/ CLAUDIO JULIO TOGNOLLI Jornalismo científico e mercado do
encantamentoPaulo Lima (*)
[4] REZA NA SAÚDE Época e seu santo remédioPaulo Bento Bandarra (*)



