A INCONSISTÊNCIA CIENTÍFICA DA HOMEOPATIA

Ou

a crítica pela razão pura

 

Paulo Bento Bandarra

Tal como tem sido até agora o esplendido malabarismo da assim chamada homeopatia, na qual concepções a priori e sutilezas especulativas levantadas por um número de escolas arrogantes, as quais somente mostram que cada um dos seus fundadores sonhou sobre coisas na qual não pode ser conhecido, e que não tem uso para a cura das doenças.[1] Parafraseando Hahnemann

Fora deste sistema sublime, pairando além de toda experiência, a prática Homeopática não pode obter nada vantajoso para o tratamento real. Assim continua seu curso confiante na cabeceira da cama do doente de acordo com a prescrição tradicional de seus livros contando-lhe como os homeopatas têm até agora tratado, e em conformidade com o método de suas autoridades práticas, indiferente, como eles, sobre o ensino da experiência orientado pela natureza , indiferentes da razão de seu tratamento [2], e muito contentes com a chave da prática fácil o livro de prescrição[3].[4] Parafraseando Hahnemann

A experiência do Dr. Jacques Benveniste em 1988[5] na qual a degranulação da histamina pelos basófilos por meio da ultradiluída anti-imunoglobulina E, anti-ig-E, foi comemorado pelos homeopatas, carentes de provas há duzentos anos, como a grande demonstração do que afirmavam. Esta experiência, criticada vária vezes, por não ter sido reproduzida, mas nunca esquecida pelos homeopatas, realmente ajudaria os homeopatas? Vamos fazer uma breve analise a seguir. Mas antes vamos explicar o que é homeopatia.

PRIMEIRA FALÁCIA

Alegação da descoberta do mecanismo de ação estava errado.

A alegação histórica dos homeopatas foi o “crucial experimento[6] de Samuel Christian Friedrich Hahnemann (1755-1843) com a análise da China, a infusão do Cortex peruviano[7], ao usar em si (1790) e ter encontrado resultados não reproduzíveis nas pessoas sadias até hoje[8].

A explicação, na época, para contestar a discordância dos médicos destes achados foi dada pelo seu discípulo Bakody [9], de que Hahnemann na sua permanência na Transilvânia em 1779, como bibliotecário, teria adquirido malária e esta estaria latente, tendo sido ativada pelo uso da Cortex Peruvianus. Mais tarde o farmacologista alemão Louis Lewin (1850-1929) teria defendido que Hahnemann teria tido uma idiossincrasia[10] e portanto seria possível tal descrição. Em ambos os casos não teria sido umprüfung[11] sadio e seriam inválidas as suas conclusões da “experientia in homine sano”.

A China era usada para tratar a febre intermitente, que incluía várias doenças, sendo a principal chamada posteriormente de malária. Alegou, na época, que o verdadeiro mecanismo dos medicamentos era por apresentarem sintomas semelhantes na pessoa sadia[12], e que, se estes fossem dados no doente orientado pelos sintomas semelhantes , curaria o paciente. Teria experimentado outros medicamentos em pessoas sadias considerando os sintomas para os diagnósticos e usos da época (1796), nunca testando em doentes. Já na época os experimentos demonstraram que a sua alegação dos sintomas que desenvolvera no uso da China eram irreproduzíveis. E em 1820 da China foi isolado o quinino[13] criticado por ele como o caro alcalóide[14], e, em 1880 foi identificado o plasmódio[15] como um dos causadores da febre recorrente. A transmissão pelo mosquito Anopheles é provada em 1898. Mais tarde se demonstrou que o quinino agia no plasmódio, por mecanismo só descoberto no século passado [16]. Nunca nenhum trabalho epidemiológico conseguiu demonstrar que a malária era adquirida apenas pelas pessoas com “distúrbios emocionais e espirituais prévios”. Mesmo assim, duzentos anos depois, ainda insistem que o mecanismo de ação seria pela ação sintomatológica semelhante. Mas na verdade, a China oficinallis, preparada homeopaticamente deixou de ter uso na malária até pelos homeopatas[17]. É evidente, para qualquer secundarista, que se pegarmos o quinino ultradiluído nas doses alegadas pelos homeopatas, em que já não tem mais moléculas alguma, não vai ter ação destrutiva em qualquer dos tipos de plasmódios. A manipulação homeopática retirou totalmente o seu poder de tratamento na malária. Se isto fosse possível já teriam demonstrado e calado a boca dos críticos.

Até hoje não se provou que aumentar o estímulo mórbido aceleraria a cura. Na verdade, quanto maior o estímulo, tóxico, infeccioso, neoplásico, maior o esforço do organismo para tentar a sua cura, ficando cada vez mais difícil, deste modo, o seu restabelecimento. E se acrescentarmos dois estímulos, vai requer maior esforço curativo e não menor.

Portanto, não é por produzir sintomas na pessoa sadia que a droga vai servir para uma pessoa doente. Isto é apenas pensamento mágico [18]. Além disto, isto nunca funcionou pois dar excrementos, venenos ou pus para pessoas doentes fazia as mesmas piorarem[19] [20]. Desenvolveu então, 29 anos[21] após, a diluição infinitesimal e a dinamização[22], transformando todas as apresentações em soluções de água/álcool inertes. Só a história da mesma persiste após a manipulação, pois são inacessíveis a qualquer análise científica, espiritual ou paranormal.

SEGUNDA FALÁCIA

Impossibilidade de se descobrir a causa das doenças.

Então surgiu outra explicação do Mestre que "sustentava ser intrinsecamente impossível conhecer a natureza interna dos processos de uma doença e, portanto, infrutífero especular sobre isso ou basear o tratamento em teorias" [23] [24], e Deus, na sua infinita bondade, teria criado “uma maneira” de tratar todas as doenças, o que os homeopatas chamam de “lei universal da cura”. Portanto, não importando ao tipo e a origem da mesma. Esta impossibilidade foi sobejamente demonstrada ser falsa pelo extraordinário avanço médico científico.

TERCEIRA FALÁCIA

Nega o valor das descobertas, afirma que toda a causa é espiritual.

Quando confrontado pela evolução científica da descoberta das doenças, passa a afirmar uma nova teoria para justificar seu método, “No se está enfermo porque se tiene una enfermedad sino que se tiene una enfermedad porque se está enfermo.[25]

O que é totalmente irracional. Pois se as pessoas Sadias não adquirem doenças, enfermidades, quando equilibrada a suaenergia vital”, como, quando testadas no “proving [26] desenvolvendo a doença artificial, adquirem? Acabou-se a proteção da “energia vital” ou esta é uma demonstração cabal de que a doença é externa, real, e não devida a especulações metafísicas inconsistentes? O exemplo disto foi a lesão permanente adquirida por Constantin Hering (1800 - 1880), discípulo de Hahnemann, ao se intoxicar com o veneno da serpente Lachesi Trigonocefalus, sem jamais recuperar o equilíbrio da sua energia vital.[27]

Para cada doença natural o ser humano reagiria de modo próprio, irreproduzível, pois cada pessoa seria única, singular, e o fenômeno irreproduzível. Para cinco pacientes com amigdalite seria dado cinco especialidades homeopáticas, ou até mesmo na mesma pessoa com a mesma doença, seria ministrado especialidades diferentes, dependendo da ocasião. A doença seria um mero coadjuvante de uma fraqueza momentânea, o miasma. O que seria um miasma é controverso[28] até hoje. Vamos ficar com a definição atual do professor Alfonso Masi- Elizalde [29] [30] [31], que seria uma "suscetibilidade às doenças proveniente do conflito espiritual ou metafísico decorrente do pecado original", visto nenhuma definição ter comprovação científica ou se basear em ciência ou medicina. Hahnemann afirmava que a sede da doença seria a “força vital[32], e os desequilíbrios dela que seriam a verdadeira origem das mesmas. “Segundo Hahnemann, esta força é "um ser imaterial que comunica vida e saúde ao corpo material; ela é única, permanente, invariável, e tem poder ilimitado sobre o corpo. Desta força emanam todos os poderes vitais do organismo". – Organon, parágrafos 9 e 10” [33]. O que James Tyler Kent (1849 - 1916) complementa: “Não podemos divorciar Medicina e Teologia. O homem existe durante todo tempo do seu Espírito interior, para sua Natureza exterior.”[34] [35]

“As análises químicas e/ou físico-químicas ater-se-iam ao aspecto material das preparações, enquanto o “poder medicamentoso” é, conforme os termos empregados por Hahnemann, imaterial, dinâmico, virtual ou espiritual.”[36]

Aqui eu tenho um grande problema para acreditar. Para a doença natural, cada pessoa reagiria de modo diferente baseado na sua singularidade. Mas se eu der esta mesma doença para testar na pessoa sadia, ele agiria igual em todos! Por exemplo, na varíola doença, cada pessoa seria única. Não teria duas pessoas iguais com varíola. Mas se eu der para um grupo de pessoas sadias elas reagiriam iguais, e mais, dada para o doente pela similaridade de sintomas, ela vai reagir igual! É um grande contra-senso. Assim aconteceria com a bactéria streptococos causadora da amigdalite. Como amigdalite bacteriana cada paciente seria diferente, mas ao usar o Psorinum [37], como especialidade homeopática reagiriam iguais! A varíola, como doença viral, seria uma doença não reproduzível, mas dada como teste numa pessoa sadia para testá-la como especialidade homeopática, seria reproduzível como Variolinum [38]. A sífilis não seria reproduzido como doença natural, mas como Syphilinum [39]seria igual em todos as pessoas testadas e agiria de forma reproduzível como especialidade homeopática.

Além disto, como afirmar que curam, se não tinham a história natural daquele paciente singular, para saber se curou sozinho ou pela ação do medicamento?

QUARTA FALÁCIA

Valorização do sintoma aleatório, excêntrico e subjetivo.

Na verdade é assim mesmo. Quando ministramos uma determinada substância numa pessoa sadia, por ação farmacológica, tóxica, infecciosa elas vão reproduzir o efeito. Certo? Mas não é assim que acontece em homeopatia. Para cada substância testada, chamadaproving”, existem reações que são determinadas