



A INCONSISTÊNCIA CIENTÍFICA DA HOMEOPATIA
Ou
a crítica pela razão pura
Paulo Bento
Bandarra
“Tal como tem
sido até agora o esplendido malabarismo da assim chamada homeopatia, na qual concepções a priori e sutilezas especulativas levantadas por um número de escolas arrogantes, as quais somente mostram que cada um dos seus fundadores sonhou sobre coisas na qual não pode ser conhecido, e que não tem uso para a cura das doenças”. Parafraseando
Hahnemann
“Fora deste sistema sublime, pairando além de toda experiência, a prática Homeopática não pode obter nada vantajoso para o tratamento real. Assim continua seu curso confiante na cabeceira da cama do doente de acordo com a prescrição tradicional de seus livros contando-lhe como os homeopatas têm até agora tratado, e em conformidade com o método de suas autoridades práticas, indiferente, como eles, sobre o ensino da experiência orientado pela natureza , indiferentes da razão de seu tratamento , e muito contentes com a chave da prática fácil – o
livro de prescrição.” Parafraseando Hahnemann

A experiência do Dr. Jacques Benveniste em
1988 na
qual a degranulação da
histamina pelos basófilos
por meio da ultradiluída anti-imunoglobulina
E, anti-ig-E,
foi comemorado pelos homeopatas,
carentes de provas há
duzentos anos, como a
grande demonstração do que
afirmavam. Esta experiência, já
criticada vária vezes, por
não ter sido reproduzida, mas
nunca esquecida pelos
homeopatas, realmente
ajudaria os homeopatas? Vamos fazer
uma breve analise a seguir. Mas
antes vamos explicar o que
é homeopatia.
PRIMEIRA FALÁCIA
Alegação
da descoberta do mecanismo de ação estava errado.
A alegação histórica dos homeopatas
foi o “crucial experimento” de
Samuel
Christian Friedrich Hahnemann
(1755-1843) com
a análise da China, a infusão
do Cortex peruviano, ao usar em
si (1790) e ter encontrado resultados
não reproduzíveis nas pessoas
sadias até hoje.
A explicação, na época, para contestar a discordância dos médicos destes achados foi dada pelo seu discípulo Bakody , de que Hahnemann na sua permanência na Transilvânia
em 1779, como bibliotecário, teria adquirido malária e esta estaria latente, tendo sido ativada pelo uso da Cortex Peruvianus. Mais tarde o farmacologista alemão Louis Lewin (1850-1929) teria defendido que Hahnemann teria tido uma idiossincrasia e portanto seria possível tal descrição. Em ambos os casos não teria sido um “prüfung” sadio e seriam inválidas as suas conclusões da “experientia in homine sano”.
A China era
usada para tratar a febre intermitente, que
incluía várias doenças, sendo a principal
chamada posteriormente
de malária. Alegou, na época, que
o verdadeiro mecanismo dos medicamentos
era por apresentarem sintomas
semelhantes na pessoa sadia,
e que, se estes fossem dados no doente orientado pelos sintomas semelhantes ,
curaria o paciente. Teria experimentado outros medicamentos em pessoas sadias
considerando os sintomas para os diagnósticos e usos da época (1796), nunca
testando em doentes. Já na época os experimentos demonstraram que a sua
alegação dos sintomas que desenvolvera no uso da China eram irreproduzíveis. E em 1820 da China foi isolado o quinino criticado por ele
como o caro alcalóide, e, em 1880 foi
identificado o plasmódio
como um dos causadores da febre recorrente. A transmissão pelo mosquito Anopheles é
provada em 1898. Mais tarde se demonstrou que o quinino agia no plasmódio, por mecanismo só
descoberto no século passado .
Nunca nenhum trabalho epidemiológico conseguiu demonstrar que a malária era
adquirida apenas pelas pessoas com “distúrbios emocionais e espirituais
prévios”. Mesmo assim, duzentos anos depois, ainda insistem que o mecanismo de
ação seria pela ação sintomatológica semelhante. Mas na verdade, a China
oficinallis, preparada homeopaticamente
deixou de ter uso na malária até pelos homeopatas.
É evidente, para qualquer secundarista, que se pegarmos o quinino ultradiluído nas doses alegadas pelos homeopatas, em que já
não tem mais moléculas alguma, não vai ter ação destrutiva em qualquer dos
tipos de plasmódios. A manipulação homeopática retirou totalmente o seu poder
de tratamento na malária. Se isto fosse possível já teriam demonstrado e calado
a boca dos críticos.
Até hoje
não se provou que aumentar
o estímulo mórbido
aceleraria a cura. Na verdade, quanto
maior o estímulo, tóxico, infeccioso, neoplásico, maior
o esforço do organismo
para tentar a sua
cura, ficando cada vez
mais difícil, deste modo,
o seu restabelecimento.
E se acrescentarmos dois estímulos,
vai requer maior esforço
curativo e não menor.
Portanto, não
é por produzir sintomas
na pessoa sadia que
a droga vai servir para
uma pessoa doente. Isto
é apenas pensamento mágico
. Além
disto, isto nunca
funcionou pois dar excrementos, venenos ou pus para
pessoas doentes fazia as mesmas piorarem .
Desenvolveu então, 29 anos
após, a diluição infinitesimal
e a dinamização,
transformando todas as apresentações em soluções de água/álcool inertes. Só a história
da mesma persiste após a manipulação, pois são inacessíveis a qualquer análise
científica, espiritual ou paranormal.
SEGUNDA FALÁCIA
Impossibilidade
de se descobrir a causa das doenças.
Então
surgiu outra explicação
do Mestre que "sustentava ser intrinsecamente
impossível conhecer a natureza interna dos processos de uma doença e, portanto, infrutífero especular sobre isso ou basear o tratamento em teorias"
,
e Deus, na sua infinita
bondade, teria criado
“uma maneira” de tratar todas
as doenças, o que os homeopatas
chamam de “lei universal da cura”. Portanto,
não importando ao tipo
e a origem da mesma.
Esta impossibilidade já foi sobejamente
demonstrada ser falsa pelo
extraordinário avanço médico
científico.

TERCEIRA FALÁCIA
Nega
o valor das descobertas, afirma que toda a causa é espiritual.
Quando
confrontado pela evolução
científica da descoberta
das doenças, passa a afirmar
uma nova teoria para
justificar seu método,
“No se está enfermo porque se tiene una enfermedad sino que se tiene una enfermedad porque se está enfermo”.
O que
é totalmente irracional.
Pois se as pessoas Sadias
não adquirem doenças,
enfermidades, quando
equilibrada a sua “energia vital”, como, quando testadas no
“proving”
desenvolvendo a doença artificial, adquirem? Acabou-se a proteção da “energia vital” ou esta é uma demonstração cabal de que a doença é externa, real,
e não devida a especulações metafísicas inconsistentes? O exemplo disto foi a
lesão permanente adquirida por Constantin Hering (1800 - 1880), discípulo de Hahnemann, ao se
intoxicar
com o veneno da serpente Lachesi Trigonocefalus,
sem jamais recuperar o equilíbrio da sua energia
vital.
Para cada
doença natural o ser
humano reagiria de modo
próprio, irreproduzível, pois cada
pessoa seria única, singular,
e o fenômeno irreproduzível. Para cinco
pacientes com amigdalite seria dado
cinco especialidades
homeopáticas, ou até mesmo
na mesma pessoa com
a mesma doença, seria ministrado especialidades
diferentes, dependendo da ocasião.
A doença seria um mero
coadjuvante de uma fraqueza
momentânea, o miasma.
O que seria um miasma é controverso
até hoje. Vamos ficar com a definição atual do professor Alfonso Masi- Elizalde
, que seria uma "suscetibilidade às doenças proveniente do
conflito espiritual ou metafísico decorrente do pecado original",
visto nenhuma definição ter comprovação científica ou se basear em ciência ou
medicina. Hahnemann afirmava que a sede da doença seria a “força vital” ,
e os desequilíbrios dela que seriam a verdadeira origem das mesmas. “Segundo Hahnemann, esta força é "um
ser imaterial que comunica vida e saúde ao corpo material; ela é única,
permanente, invariável, e tem poder ilimitado sobre o corpo. Desta força emanam
todos os poderes vitais do organismo". – Organon,
parágrafos 9 e 10” . O que James Tyler
Kent (1849 - 1916) complementa: “Não podemos divorciar Medicina e Teologia. O
homem existe durante todo tempo do seu Espírito interior, para sua Natureza
exterior.”
“As análises químicas
e/ou
físico-químicas ater-se-iam ao aspecto
material das preparações,
enquanto o “poder medicamentoso”
é, conforme os termos
empregados por
Hahnemann, imaterial, dinâmico,
virtual ou espiritual.”
Aqui eu tenho um
grande problema para
acreditar. Para a doença natural,
cada pessoa reagiria de modo
diferente baseado na sua
singularidade. Mas se eu
der esta mesma doença para
testar na pessoa sadia,
ele agiria igual em
todos! Por exemplo,
na varíola doença,
cada pessoa seria única.
Não teria duas pessoas
iguais com varíola. Mas
se eu der para um
grupo de pessoas
sadias elas reagiriam iguais,
e mais, dada para
o doente pela similaridade de sintomas,
ela vai reagir igual!
É um grande contra-senso.
Assim aconteceria com
a bactéria streptococos causadora da amigdalite.
Como amigdalite
bacteriana cada paciente
seria diferente, mas
ao usar o Psorinum
,
como especialidade homeopática
reagiriam iguais! A varíola, como doença
viral, seria uma doença não
reproduzível, mas dada
como teste numa pessoa
sadia para testá-la como
especialidade homeopática,
seria reproduzível como Variolinum .
A sífilis não seria reproduzido como
doença natural, mas
como Syphilinum seria
igual em todos as pessoas testadas e agiria de forma reproduzível como especialidade homeopática.
Além disto, como
afirmar que curam, se não
tinham a história natural
daquele paciente singular,
para saber se curou sozinho
ou pela ação
do medicamento?
QUARTA FALÁCIA
Valorização do sintoma aleatório, excêntrico e subjetivo.

Na verdade é assim mesmo. Quando ministramos uma determinada substância numa pessoa sadia, por ação farmacológica, tóxica, infecciosa elas vão reproduzir o efeito. Certo? Mas não é assim que acontece em homeopatia. Para cada substância testada, chamada “proving”, existem reações que são determinadas