



Denizard aceitou a pecha de ex-Druida, mas não
revelou nada desta época.
Quem
foi o verdadeiro
pai
do espiritismo?
Allan Kardec ou Hahnemann
Grandes movimentos místicos, científicos e pseudocientíficos tiveram parte no século XIX na Europa e que se estenderam pelo resto do mundo. Alguns, como o espiritismo e a homeopatia que estouraram na França, acabaram
tendo o seu real reduto no Brasil, chamado de “Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” restando muito pouco no seu país de origem.
Apesar da alegação de ter sido codificado pelo professor do secundário Hypollyte Leon Denizard Rivail
(1804 – 1869), discípulo de J. Heinrich Pestalozzi (1746-1827) na Suíça, alegado de ser um cientista capacitado e sem preconceitos, vamos analisar não pelo prisma da fé de seus inúmeros biógrafos sectários, mas as inter-relações com os fatos que cercam tal novidade. Escreveu, ele, a bíblia da nova crença, Le Livre des esprits (1857) que passa a ser o Organon inatacável da nova moda que emigraria para o Brasil. Como o Organon, que nega a ciência conhecida para num futuro longínquo vir a ser comprovado pela ciência verdadeira, ou seja, aquela que lhe sirva, assim também é O Livro dos Espíritos.
A tese de que Rivail era a pessoa certa e com grande base científica não é verdadeira. Ele tinha uma boa formação em metodologia de ensino, de como convencer as pessoas e transmitir informações e não em ciências. Ele cria um instituto de ensino para secundaristas aprenderem o básico, que é o que ele possuía na época. A sua entrada na universidade se daria como curioso em mesmerismo. Em 1823 “Rivail estuda o magnetismo e adere à sua prática junto com famosos pesquisadores ligados à Faculdade de Medicina de Paris, como Puységur[1], d`Eslon, Deleuze, Du Potet e
Millet, dedicando seu tempo ao sonambulismo[2] [3]e outros fenômenos provocados pela ação do agente magnético.” [4] Mais adiante em 1852 os médicos
afirmam que Rivail
ficará cego devido a problemas visuais. Mas uma sonâmbula, em sono “magnético”, lhe tranqüiliza, afirmando ser o mal passageiro.
Estes dois fatos
demonstram que ele era um crédulo antes de entrar a compor a obra que o consagrou. Talvez tenha
aprendido na Faculdade de Medicina que dividir a opinião com outras pessoas
acabava sendo impossível de criar uma obra, e ao contrário do que se fez
lá, que resultou da expulsão por reconhecida inutilidade de Anton Mesmer[5](1734
- 1815), (inventor do passe
chamado de mesmerismo) da França, fazer o trabalho solitário
evitaria criticas de pessoas descrentes aos fenômenos. É isolado que constrói a sua obra longe das
criticas, levando para impressão sem uma
analise crítica prévia por outra pessoa.
Qual a influência que Cristian
Friedrich Samuel Hahnemann[6]
(1755-1843) teve nisto é o que vamos abordar.
Rivail adota no seu livro o nome de Allan Kardec, como nós
passaremos a denominá-lo de agora em diante. Esta adoção já
demonstra não uma mente científica que estudava e colocava em público uma tese a ser
debatida, mas uma mente pronta, quando o próprio codificador passa o resto da vida a interpretar um personagem, um suposto druida morto há muitos anos e
alega, falsamente, de que não havia registros históricos sobre o tema . E,
cometendo um erro para quem quer ser encarado como cientista, aceita sem provas os fatos mostrando que não era mesmo a pessoa
indicada para os estudos que fez em “fundos de quintais” de residências de praticantes e
embasados em pessoas que
ganhavam a vida com isto, como as mães Dinah
da atualidade, método que alega que recorreu várias vezes para checar as informações.
Sua vocação começa em 1855 por meio do espírito de
Hahnemann falecido em Paris em 1843. Esta informação obtém
de uma sonâmbula profissional que usa o pseudônimo de
Celina Japhet. Não nos
interessa o fato histórico, mas a
motivação disto. Como os espíritos deveriam provar a sua identidade, visto a maioria ser zombeteiro, como que antes de estudar algo,
desapaixonadamente ele aceita
esta identificação? O que significava este reconhecimento e este aval que seria dado por
Hahnemann espiritual nos espíritos que “fizeram a base editorial do livro”?
Fatos
interessantes nos são revelados pela Federação Espírita Brasileira (FEB). O início do espiritismo oficial no Brasil tem início pelas mãos do homeopata francês Benoit Mure (1809-1858), em 1840, discípulo de Hahnemann que introduz o passe usado até hoje nos centros espíritas e as preces e seções
mediúnicas, ao mesmo tempo em que receitam suas
medicações homeopáticas. Dezessete anos antes do lançamento do Livro dos Espíritos, seus discípulos já difundiam pelo mundo uma prática que ainda não estaria codificada e é introduzida no livro de Kardec como a terceira revelação. Por que Mure é
considerado o introdutor do espiritismo no Brasil pela FEB? Certamente porque trouxe para o país conceitos de vida após a vida, pois só rezar não daria este reconhecimento de espiritualismo, pois em todos os hospitais cuidados por freiras isto já era feito a séculos e não daria este crédito.
O professor de homeopatia Argentino Masi Elizalde nos revela também esta visão espiritual de
Hahnemann: [10]
“...confirmando uma vez mais ou dando outra prova do tomismo hahnemaniano, que mesmo depois da morte, na outra vida, o criador em sua infinita bondade continuaria nos ajudando, para que seguíssemos remontando nosso fim último que é tratar de nos assemelharmos cada vez mais, ou de aperfeiçoarmos nossa condição de imagem de Deus, quer dizer, fazer-nos a cada dia mais e mais à imagem de Deus.”
Na América do Norte, tanto Hans Burch Gram (1796-1840)
como Constantin Hering (1800-1880), introdutor da homeopatia nos EUA e seguidor predileto de Hahnemann, eram
Swedemborgianos.
Na Inglaterra também o Dr. Paul
François Curie (1799-1853), paciente de
Hahnemann[12],
nascido em Grand
Charmont, França, na Alsácia, entrou em contato com a homeopatia em 1832; entre 1833-35 esteve em Paris,
quando um rico mercador inglês,
William Leaf, praticante leigo (1790-1874), o levou para
Londres onde ele esteve ativo na causa da homeopatia por 18 anos, até falecer de Tifo. Participava desta prática leiga o Reverendo Thomas
Roupell Everest (1801-1855) a quem
Hahnemann se referia como “um zeloso homeopata e promotor da homeopatia na Inglaterra” [13] [veja
Ruth