É notória a má-vontade dos especialistas para
com os jornalistas que se encarregam da divulgação científica. É comum
rotularem-se de superficiais as matérias sobre ciência e tecnologia, e de
inconseqüentes as sobre medicina e saúde. O que dizer, no entanto, de matéria
como a que publicou A Folha de S.Paulo (8/2/01) sobre a homeopatia? A
repórter que a assina usou dados da associação máxima da especialidade,
consultou profissionais credenciados e ouviu o relato de empresas e pacientes em
apoio à homeopatia. O que faz o leitor crítico diante desta e de muitas outras
reportagens sobre a medicina dita alternativa? É fácil acusar de levianas
matérias que divulguem terapias obscurantistas e carentes de valor científico,
mas o que dizer da que promove uma especialidade médica que tem a benção do
Conselho Federal de Medicina e da Associação Médica Brasileira, é utilizada na
rede pública, conta com 15 mil profissionais cadastrados no país e ganha adeptos
a cada dia? Pedir que a imprensa seja mais responsável do que as duas
entidades oficiais citadas seria ingênuo, mas não descabido. Quando os
interesses mercadológicos de uma categoria falam mais alto do que o interesse
público, a imprensa deveria ser a primeira denunciá-los porque só interesses
mercadológicos explicam o reconhecimento oficial da homeopatia. Se a homeopatia
estiver certa, e existir no universo um princípio cujo efeito seja maior quanto
mais diluído esteja, estão erradas a química, a física e a medicina modernas. No
resto deste artigo, convido o leitor que não esteja disposto a abandonar as
conquistas do pensamento científico a considerar as bases físicas da homeopatia.
O Físico e a Homeopatia Em minha juventude tive a felicidade de
conviver com Mário Schenberg, o grande astrofísico brasileiro. Num daqueles
dias, surpreendi-o, de pijama e chinelos, na cozinha de sua casa na Avenida Dr.
Arnaldo, em São Paulo, a separar, contar e colocar com todo o cuidado debaixo da
língua vinte e tantos glóbulos brancos de um remédio homeopático. Tentei
mostrar-lhe a incoerência: ele, um cientista famoso, utilizando-se de um método
terapêutico para o qual não há qualquer comprovação científica. Falei das
diluições extremas, da constante de Avogadro, da impossibilidade estatística de
existir naquele produto uma molécula sequer do princípio ativo, e, em pouco
tempo, lá estava eu, na petulância de meus vinte e poucos anos, a dar lições de
química elementar ao homem que desenvolveu, com Chandrasekhar, o modelo estelar
com núcleo isotérmico. Sempre bondoso, Mário não se aborreceu com a insolência.
Disse apenas que se eu pretendia aplicar o método científico deveria antes
inteirar-me de suas limitações, pois o método científico testa a validade da
hipótese e mais nada. Não revela se a hipótese a ser testada é a única possível,
ou sequer se é razoável. Para formular hipóteses é preciso imaginação, pois
fazer ciência é um ato criativo. Minha hipótese, Mário esclareceu, era a de que
o efeito terapêutico devia-se ao princípio ativo. Sob esse ângulo o raciocínio
era perfeito: sem a presença do princípio ativo o remédio não funcionaria. O que
eu não considerava era que o efeito terapêutico poderia dar-se através de outro
fenômeno qualquer, por exemplo, pela modificação da estrutura molecular do
solvente por ação do soluto. Segundo essa hipótese alternativa, o solvente
água ou álcool transformar-se-ía pelo simples contato com as moléculas do
princípio ativo, e a eficácia do remédio não dependeria mais da presença
daquelas moléculas. Mário disse essas coisas com um sorriso maroto nos lábios, o
que, na época, imaginei dever-se ao prazer de confundir a cabeça do moleque
impertinente. Hoje sei que não, mas essa é outra história [Mário Schenberg
comprazia-se em questionar verdades aceitas e estabelecidas. Tinha sempre um
ponto de vista original a contribuir. Toda e qualquer discussão era para ele um
laboratório onde idéias eram ensaiadas e, então, descartadas ou selecionadas
para futuro exame, conforme seu potencial. O fascínio de Mário pela arte e
filosofia orientais e a ênfase que colocava na intuição como instrumento para o
conhecimento foram usados como licença para atribuir-lhe uma vocação mística bem
maior do que a que verdadeiramente tinha. Se tinha afinidade com alguma
religião, era com o Budismo, uma religião sem Deus. Por razões que são fáceis de
entender, o fato de Mário ter sido um dos primeiros a divulgar no Brasil Fritjof
Capra e seu The Tao of Physics ganha mais ênfase entre os muitos que o
conheceram superficialmente do que suas contribuições teóricas para a teoria dos
dielétricos, teoria da ionização e da radiação de Cernkob, teoria clássica e
quântica dos campos, relatividade geral, mecânica clássica e raios cósmicos].
Aprendi, graças a minha impertinência, que o método científico ou, mais
propriamente, o indutivo também tem suas limitações. Tivesse eu, além da
impertinência, um pouco mais de espírito crítico, teria percebido a falácia da
hipótese alternativa sugerida por Mário. Teria usado Popper, recém-estudado no
curso de pós-graduação, para contra-argumentar. Sendo como era, aceitei o
argumento da autoridade. Se vinha de Mário Schenberg, tinha de estar correto.
Meu único consolo é encontrar-me em boa companhia. A suspensão da razão crítica
com relação a correntes filosóficas místicas, terapias alternativas,
pseudociência, fenômenos paranormais e dogmas religiosos tem afetado gente
melhor e mais preparada do que eu. Com o presente artigo procuro retificar um
tanto tardiamente, reconheço aquela omissão da juventude. Hahnemann, Pai da Homeopatia Christian Friedrich Samuel Hahnemann
(1755-1843), o criador da doutrina homeopática, foi um grande médico. Quando
começou a formular os princípios da homeopatia (do grego homeo,
semelhante, e pathos, sofrimento ou doença), em fins do século 18, o
horror que nutria pela medicina tradicional de seu tempo era justificado. Entre
os recursos médicos da época contavam-se a aplicação de sanguessugas, os
enteroclismas (lavagens intestinais), as sangrias, a administração maciça de
drogas perigosas e outros métodos invasivos que geralmente faziam mais mal do
que bem. Hipócrates foi a inspiração de Hahnemann para a lei dos semelhantes.
Disse ele: "Há doenças que são tratadas pelo similar, outras pelo contrário.
Tudo depende da natureza da doença". A noção de que a maioria das doenças pode
ser curada pelos mesmos agentes que a causam também é encontrada na medicina
chinesa. Se a cura do semelhante pelo semelhante prenunciava-se em Hipócrates,
em Paracelso ela era explícita. Foi ele o autor da frase similia similibus
curantur, erroneamente atribuída a Hahnemann. Como Hahnemann conhecia
perfeitamente o latim e o grego antigo, podemos crer que bebeu de primeira mão
dessas fontes clássicas, embora haja quem discorde. Partindo de observações
feitas a partir do uso do extrato de quinino, que, usado em pessoas sadias,
parecia produzir os mesmos sintomas da doença que era usado para tratar a
malária chamada então de febre dos pântanos , Hahnemann formulou o primeiro
axioma da homeopatia, conhecido como Lei dos Semelhantes. Outros dois axiomas da
homeopatia são a Lei do Remédio Único, que estabelece que o remédio mais eficaz
é a substância pura que produza os mesmos efeitos da doença a combater, aplicada
em dose única; e a Lei da Dose Mínima, ou dos Infinitesimais, que diz respeito à
diluição do princípio ativo, o famoso e controverso princípio do "quanto mais
diluído mais forte". Sem Paralelo A diluição, chamada em homeopatia de
potencialização ou dinamização envolve uma seqüência progressiva
de diluição e agitação rítmica, a chamada sucussão. A primeira diluição é
obtida adicionando-se uma parte do princípio ativo a nove partes de solvente,
geralmente água ou álcool. Faz-se em seguida a sucussão percutindo-se
ritmicamente o frasco com a solução contra um anteparo, geralmente uma tira de
couro. A potência da solução obtida é de 1DH na escala decimal hahnemanniana, ou
seja, uma parte em dez. Para obter-se a potência 2DH, no mesmo sistema decimal,
mistura-se uma parte da solução anterior em nove de água, o que resulta em
solução com uma parte de soluto em 100 (1 seguido de dois zeros) de solvente.
Similarmente, obtém-se as potências seguintes, de 3DH até diluições extremas
como 30DH, ou seja, 1/1030, uma parte de soluto em volume de solvente
representado pelo número um seguido de trinta zeros. Embora as diluições
mais usadas estejam entre 6DH e 30DH, a coisa não pára por aí há diluições ainda
maiores. Além da escala decimal, representada por DH, existem outras. A escala
centesimal hahnemanniana, por exemplo, representada por CH, é bastante usada. Na
escala centesimal, uma solução 1CH é 1/100, 2CH é 1/10.000, 3CH é 1/1.000.000, e
assim por diante. São comercializados remédios homeopáticos que vão até 200CH,
ou 1/100200. Diluições tão altas escapam à compreensão, por não terem paralelo
em nossa experiência comum. Os exemplos das seções seguintes talvez ajudem e
surpreendam. Hahnemann e Avogadro Hahnemann foi contemporâneo de Amadeo Avogadro
(1776-1856) mas certamente não conheceu o trabalho do grande químico e físico
italiano. O Organon foi publicado um ano antes da formulação da hipótese
de Avogadro; muitos anos antes, portanto, da determinação do número que veio a
ser conhecido por Constante de Avogadro. Avogadro descobriu que o número
de átomos ou moléculas em um mol de uma substância qualquer é constante.
Esse número determinou-se mais tarde é igual a 6,022137 x 1023. Um mol,
ou molécula-grama, é o equivalente em gramas da massa molecular da substância. A
massa molecular da água, por exemplo, é 18, pois a molécula da água, H2O, contém
dois átomos de hidrogênio, de massa atômica 1, e um átomo de oxigênio, de massa
atômica 16. Assim, há exatamente 6,022137 x 1023 moléculas em 18 gramas de água.
As leis da química permitem determinar a solução mais diluída que pode ser
preparada sem a eliminação completa da substância original. Estatisticamente, só
é garantida a presença de pelo menos uma molécula do princípio ativo em soluções
mais concentradas do que uma parte de soluto por volume equivalente à constante
de Avogadro de partes de solvente, ou seja, 1 parte de soluto por 6,022137 x
1023 partes de solvente. Isso quer dizer que a partir das potências homeopáticas
24DH ou 12CH, ou 1 parte em 1024, a chance de existir uma única molécula do
princípio ativo no medicamento é quase nula, e diminui ainda mais com a elevação
da potência. Sucussão da Pororoca O Amazonas, maior rio do mundo, por onde passa um
quinto de toda a água da superfície do planeta, descarrega no mar cerca de 175
mil metros cúbicos de água por segundo. O volume é tanto que a 150 km de sua foz
as águas do mar ainda são menos salgadas devido ao enorme volume de água
despejado pelo rio. Fazendo as contas, verificaremos que a vazão do Amazonas é
igual a 1,75 x 1011 centímetros cúbicos por segundo. Um centímetro cúbico de
água contém aproximadamente quinze gotas; a vazão em gotas por segundo é,
portanto, de 2,63 x 1012. Na diluição homeopática 30DH, uma parte de princípio
ativo digamos, uma gota é diluída em 1.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000
gotas de água. Para despejar essa quantidade de gotas, o Amazonas levaria cerca
de 3,81 x 1017 segundos, ou seja, 12.079.920.756 anos. Imagine que fosse
possível arranjar um meio de conter toda essa água, que é equivalente a milhares
de vezes o volume de todos os oceanos da Terra. Para chegar à diluição 30DH
seria só pegar um conta-gotas, ir até a foz do Rio Amazonas, no Pará, pingar uma
gota de princípio ativo no rio e aguardar pouco mais de 12 bilhões de anos até a
diluição final. E esperar que a pororoca se encarregue da sucussão.
O Pato de 20 Milhões de
Dólares Se o leitor
ficou surpreso com o cálculo acima, apresento outro ainda mais surpreendente,
este de Robert L. Park, físico da Universidade de Maryland, nos EUA. Um produto
chamado Oscillococcinum, produzido a partir de fígado e coração de pato,
é comercializado na potência 200CH. Se uma única molécula da substância original
pudesse estar presente no produto final, sua diluição seria de 1 por 1 seguido
de quatrocentos zeros um número maior do que o número estimado de átomos em todo
o universo conhecido, que não é mais do que um mísero googol, ou seja, 1
seguido de apenas 100 zeros. O Oscillococcinum é vendido como tratamento
para os sintomas de gripes e resfriados. A revista americana U.S. News &
World Report (17/2/97) observou que um único pato seria suficiente para
fabricar o estoque anual do produto [o fígado de apenas um pato poderia, na
verdade, servir para fabricar todo o estoque do produto até o fim dos tempos],
cuja venda total foi de 20 milhões de dólares em 1996. Como se vê, a
popularização do uso do Oscillococcinum não chega a ameaçar os patos de
extinção. Os remédios homeopáticos para uso interno são ingeridos na fórmula
de glóbulos, tabletes, pó ou diretamente na forma de solução hidroalcóolica ou
aquosa. As formas sólidas glóbulos, tabletes e pós são fabricadas pingando-se
uma gota da solução diluída sobre um veículo inerte, geralmente sacarose ou
lactose. Park calculou que, para ter certeza de ter ingerido uma única molécula
da substância medicinal presente na potência 30DH, seria necessário ingerir dois
bilhões de tabletes, cerca de mil toneladas de lactose mais as impurezas que a
lactose porventura contenha. Os fatos apontados acima são entendidos e
aceitos pelos homeopatas. O próprio Hahnemann percebeu que provavelmente nenhuma
molécula da substância original restaria após essas diluições extremas as
chamadas diluições ultramoleculares. Hahnemann acreditava, no entanto, que a
ação vigorosa da sucussão deixa no solvente uma "essência espiritual
imperceptível aos sentidos" que estimularia as "energias vitais" do corpo. Se
hoje esse tipo de linguagem soa pouco científica, no tempo de Hahnemann ela
podia-se justificar. Basta lembrar que seus colegas de profissão ainda falavam
em extrair o sangue mau e balancear humores. Mais do Que Uma Vaga Lembrança Alguns proponentes atuais da homeopatia,
incapazes de contestar a realidade física da constante de Avogadro, afirmam que
mesmo quando desaparece a última molécula do principio ativo, sua "memória"
permanece na solução. O assunto, antigo, ganhou vida nova em 1988 quando Jacques
Benveniste e seus colegas publicaram na prestigiosa revista Nature um trabalho
que parecia indicar que anticorpos diluídos em soluções de até 30DH bem acima do
limite teórico de Avogadro ainda conseguiam produzir respostas biológicas
(Nature http://www.nature.com/ 333: 816, June 30, 1988). Benveniste atribuiu essa
propriedade à "memória" da água, que, após a sucussão, ainda se "lembrava" dos
anticorpos que encontrara antes embora não existisse uma molécula sequer deles
na solução diluída. Diante do ataque da comunidade científica ao artigo, o
editor da revista, John Maddox, disse em editorial duvidar do acerto das
conclusões de Benveniste, mas que as publicara assim mesmo em nome do livre
intercâmbio de idéias. A controvérsia gerada levou a Nature a nomear
uma comissão científica para investigar o caso. Concluiu-se que os procedimentos
de Benveniste careciam dos procedimentos rigorosos que devem orientar a pesquisa
científica. O experimento de Benveniste nunca foi reproduzido com sucesso por
pesquisadores sérios e, com o tempo, Benveniste começou a cair em desgraça. Na
percepção de seus colegas, Benveniste passou de cientista respeitado a doido
varrido, perdendo verbas de pesquisa e seguidores fora do círculo de homeopatas
radicais. O próprio Benveniste não coopera muito com os que tentam resgatar-lhe
a imagem, pois sua última descoberta é que a vibração das moléculas pode ser
captada, gravada e enviada por telefone, produzindo efeitos à distância. Por
essa contribuição, Benveniste ganhou o Prêmio IgNobel da Universidade
Harvard, atribuído anualmente a pesquisas estapafúrdias. A Falta de Memória da Água Concedendo o benefício da dúvida aos que acreditam
que Benveniste seja mais um mártir da arrogância da ciência oficial,
esforcemo-nos para acreditar, por um breve momento, que a água consiga, de
alguma forma, "lembrar-se" de outras moléculas com que tenha tido contato. O que
deveria nos surpreender neste caso não é a memória, mas a falta de memória da
água. A água que existe no mundo já viu muita coisa; já foi nuvem, mar e rio; já
foi arrastada em enxurradas desde a cidade de Ur na Mesopotâmia até a favela da
Rocinha; já passou pela banheira de Cleópatra e pela bexiga de Júlio César; já
escorreu pela fronte de Napoleão e pelas cachoeiras da Casa da Dinda. Espanta
que tenha se esquecido de tudo o que viu. Continuemos, no entanto, a demonstrar
a nossa boa vontade para com os homeopatas e assumir que a destilação faça a
água "esquecer" as moléculas que tenha encontrado em seu passeio através dos
tempos. Vamos também fazer de conta que a destilação elimina todas as
substâncias dissolvidas na água, o que não é verdade. O que dizer então da
contaminação no momento do preparo? O que acontecerá se uma partícula de
impureza atingir a água no momento anterior à sucussão? É fácil imaginar como
isso pode acontecer no laboratório de manipulação. Vamos a um exemplo. A
fabricação de semicondutores exige extrema atenção quanto ao nível de partículas
presentes no ambiente. As salas limpas são classificadas como classes de pureza
1, 10, 100, 1000, 10.000 ou 100.000, dependendo do número de partículas de até
0.5 ?m por pé cúbico de ar. Para se ter uma idéia o que isso significa, o limite
de visibilidade do olho humano é de 50 ?u, cerca de metade da espessura de um
fio de cabelo. Semicondutores são fabricados em salas limpas de classe de pureza
melhor do que 100, onde a exposição de qualquer parte do corpo humano não é
tolerada. A razão dessa precaução somos nós humanos, animais sujos, que deixamos
um rastro de resíduos por onde passamos. Estima-se que em sessenta segundos uma
pessoa imóvel gere cerca de 100 mil partículas fragmentos de pele, sal,
gotículas de óleo, umidade, desodorante e cosméticos de tamanho suficiente para
danificar um circuito integrado em fabricação. Pois bem, ainda que os remédios
homeopáticos fossem preparados numa sala limpa de classe de pureza máxima, a
chance de haver mais partículas estranhas do que moléculas do princípio ativo na
preparação final seria grande. E os laboratórios de manipulação, como se sabe,
estão longe de rivalizar com a Intel em matéria de limpeza. Como é que a água
sabe distinguir o que é princípio ativo e o que é uma molécula de enxofre do
xampu da preparadora? Como distingue, na memória, a molécula do fígado de um
pato das milhões de moléculas orgânicas que o preparador despeja no ar pelo mero
ato de respirar? É melhor retomarmos aqui o nosso ceticismo científico, pois
a crença nos axiomas da homeopatia exige o abandono do pensamento que conduziu a
ciência e a tecnologia a onde se encontram hoje. Retomemos também a reportagem
da Folha de S.Paulo. O Que Dizem os Homeopatas Quanto a reação à crítica científica da
especialidade, há homeopatas que dizem ter tirado de sua experiência clínica com
a homeopatia demonstrações suficientes de sua eficácia como método terapêutico e
há os que insistem em achar um arremedo de explicação científica para essa
crendice do século dezenove. Os primeiros beneficiar-se-iam da revisão de alguns
conceitos de estatística, método duplo-cego e efeito placebo. É fato conhecido
que em experimentos duplo-cego em que nem o experimentador nem os sujeitos do
teste sabem quem está tomando o medicamento e quem está tomando o placebo uma
parte significativa dos que tomam o placebo apresentam melhora de seu quadro
clínico. Quanto ao segundo tipo, os que tentam justificar cientificamente a
homeopatia, não há o que dizer a posição é insustentável. As explicações
oferecidas para o mecanismo de ação da homeopatia não passam pelo escrutínio de
um aluno de primeiro ano de física. Teorias difíceis e mal compreendidas como a
física quântica e o princípio da incerteza de Heisenberg são misturadas a
crendices extemporâneas e oferecidas como explicação. Isso quando não falam de
"forças ainda não descritas pela ciência, que só agora começam a se
compreender". Os especialistas ouvidos pela Folha não parecem ser
radicais e recomendam a homeopatia em associação com outros tratamentos. Esse é
um bom conselho. O tratamento homeopático não oferece perigo algum quando se
trata de gripe branda ou resfriado: o que medicina cura em uma semana, a
homeopatia cura em sete dias, já que o tratamento convencional também é ineficaz
para aqueles males. O caso é outro, porém, quando se usa a homeopatia para
tratar de doenças que possam deixar sequelas ou mesmo causar a morte. Um dos
websites homeopáticos que consultei para escrever este artigo aconselha, num
raro momento de sabedoria: "Nas doenças infecciosas graves como na meningite,
tuberculose, febre tifóide, é conveniente a utilização concomitante com os
antibióticos". Não poderíamos deixar de concordar, com uma pequena mudança na
redação. Em caso de doenças graves aconselha-se usar o remédio indicado pela
medicina científica. Se a crença do paciente exigir, o tratamento pode ser
complementado com homeopatia, simpatia, florais de Bach, promessas a Ossanha ou
orações a Nossa Senhora de Aparecida.
José Colucci Jr. mailto:j.colucci@rcn.com é engenheiro mecânico pela Unicamp
<http://www.unicamp.br>, mestre e doutor em bioengenharia, ex-professor da
USP
<http://www.usp.br>,
vive atualmente em Boston., Estados Unidos.
Em 12
CH o volume de água energizado por uma molécula seria dos oceanos do planeta
terra!
En
1835, cuando Hahnemann todavía se encontraba en Kötten, dirigió al Ministro de
Instrucción Pública de Francia un memorial solicitando su favorable apoyo al
plan de la Societé Gallicane de Homeopatie que deseaba instalar
dispensarios homeopáticos en París. El ministro quiso oír la opinión de ala
Academia de Medicina y ésta presentó la siguiente opinión: "Señor
Ministro: La homeopatía que se presenta en este momento como una novedad y que
pretende revestirse de prestigio, no es cosa nueva ni para la ciencia ni para el
arte." "Hace más de 25 años que vaga sin destino, primeramente en Alemania,
enseguida en Prusia, posteriormente en Italia, actualmente en Francia,
procurando por todas partes, siempre en vano introducirse en la
medicina." "La Academia se ha ocupado de ella, muchas y prolongadas veces. Es
lamentable que algunos de sus partidarios no hayan tenido el cuidado y deber,
mas o menos serio de profundizarse en sus bases, su marcha, sus procesos, y sus
efectos." "Entre nosotros, además de eso, la homeopatía fue sometida a los
rigurosos métodos de la lógica y toda lógica señala en el sistema una pluralidad
de estas oposiciones formales con las verdades mejor establecidas. Un gran
número de esas contradicciones sorprendentes, muchos de estos absurdos palpables
que desmoronan inevitablemente todos los falsos sistemas a los ojos de los
hombres esclarecidos, no constituye, entre tanto, suficiente obstáculo a la
credulidad de la gente." "Sufre también entre nosotros, la homeopatía la
experiencia de los hechos; ella pasó por el crisol de la experiencia y aquí,
como en otros lugares, la observación fielmente interrogada, proporcionó las
oposiciones más categóricas, las más severas, porque si se preconizan algunos
efectos de curas homeopáticas, sen sabe entre tanto, que las preocupaciones de
una imaginación fácil, de un lado y de otra parte las fuerzas curativas el
organismo recuperan el justo título que les pertenece en el éxito. Por el
contrario, la observación constató los peligros mortales de semejantes
procedimientos, y los casos frecuentes y graves de nuestro arte, donde el médico
puede hacer tanto mal y no menor daño no actuando, nada más, en contra del buen
sentido." "La razón y la experiencia están, por tanto, reunidas para repeler
con todas las fuerzas de la inteligencia semejante sistema y para dar en consejo
de abandonarlo a sí mismo, dejándolo a sus propios recursos." "Es en el
interés de la verdad, y también para ventaja suya, que los sistemas, sobre todo
en medicina, no quieren ser atacados y defendidos, y perseguidos y protegidos
por el poder. Una sana lógica de esto, es la más segura pericia. Sus jueces
naturales son los hechos, su infalible piedra de toque es la experiencia.
Forzoso es, por lo tanto, abandonarlo a la libre acción del tiempo. Arbitrio
soberano de estas materias, único justiciero de las teorías sanas, único que
asegura estabilidad en la ciencia a las verdades que deben constituir el
dominio." "Agregamos que la preevidencia que es también la agudeza de
espíritu de toda administración pública dirija imperiosamente una semejante
determinación." "Cada uno de nosotros, conoce suficientemente, en nuestros
días, el poder de los precedentes; podemos por eso prever y calcular un peligro
de tal especie." "Después de los dispensarios homeopáticos, serán solicitados
para el magnetismo animal, para el brownismo, y así en delante para todas las
concepciones del espíritu humano. La administración apreciará, como nosotros,
las consecuencias de semejante conducta." Por estas consideraciones y por
estos motivos, la Academia juzga que el gobierno debe rehusar la concesión de la
solicitud que le fue hecha a favor de la homeopatía." Este parecer
representa la opinión de la mayoría de la Academia. No fue unánime, en contra de
él votaron dos académicos, cuyos nombres desgraciadamente no nos fue
posible obtener. Entre 100 miembros, 2 votaron en contra … dos voces que
defendían la libertad científica.