Pode-se perguntar porque um assunto como este está colocado aqui. Mas como é utilizado o testemunho médico para afirmar a veracidade do Sudário, é importante se dimensionar a sua real validade e importância. Principalmente quando as crenças cegam os fatos para se criar uma verdade que se deseja e não aquela que se mostra a nossa frente.







PENSAR Quando os olhos vêem mais que a razão

Paulo Bento Bandarra

O artigo do Professor Hernán Toro, Engenheiro Eletrônico, na edição de estréia da Revista Pensar[remissão abaixo], nos dá uma dimensão de quando a mente quer acreditar no impossível, consegue usar todo os meios tortuosos para isto. Até mesmo usar a ciência para validar uma fraude que a deseja que seja realidade. Aquilo que deveria ter evidenciado a burla, a foto de Secondo Pía, passa a ser uma prova de “milagre”. A foto do negativo da película mostra não uma imagem de uma pessoa na mortalha, mas uma imagem ipses líteres: a representação fotográfica dela. E o que devia ter selado o destino do embuste medieval, passou a ser usada pesquisa científica para tentar provar que o que não é, é!

A possibilidade de se pintar o Sudário é afirmado, como prova de autenticidade, de ser impossível. Mas na verdade a possibilidade de uma mortalha apresentar um efeito fotográfico que é praticamente impossível. Se ela fosse uma peça manchada e com deformidades, seria mais verossímil do que sendo uma peça perfeita (tirando os vários erros anatômicos).





O Sudário de Oviedo apresenta manchas muito mais verossímeis de quem tentou imitar uma mortalha, ou de alguém que foi amortalhado e usado após para este fim, do que o de Turim. O sangue que entra em contato com o tecido sofre uma ação de capilaridade, como lembra o Prof Toro, e se expande tendendo a forma circular. Nenhum efeito parecido é encontrado no de Turim. Apesar de médicos forenses validarem a suposta crucificação da imagem pelo punho, nenhum explica porque o sangue e os líquidos corpóreos não se comportaram como tais. Assim como a falta outros resultados em mortalhas na qual se constatou igual fenômeno fotográfico pelo sangue.
É mister observar que este Sudário de Oviedo estaria colocado por baixo do de Turim, mas não deixou o de Turim com uma impregnação menor nesta área, como seria de esperar, onde houvesse dois panos.

Foto de um pessoa com um tecido no rosto

Outra anomalia inverossímil é que a imagem fotográfica se formou na parte de tecido colocada sobre o cadáver impressionada pelo seu peso apenas, enquanto a parte de trás, com o peso da vítima, está por demais indefinida. Não se define a nuca, as omoplatas, as nádegas. Nem os líquidos dos ferimentos múltiplos se fizeram presentes nesta parte, quando obrigatoriamente deveria ter impregnado pela ação da gravidade e da capilaridade das fibras. Em nenhum local se evidência um borrão deixado pelo corpo ao ser colocado e ajeitado sobre a mortalha, como se o mesmo apenas desceu sobre o pano e não foi retirado. Assim como em nenhum local houve a esperada transfixação do sangue nos tecidos, sendo a impressão apenas levemente superficial, como ocorreria com uma tinta. A colocação do tecido, mesmo feito por quatro pessoas esticando a mortalha sobre o mesmo sem deixar uma ruga, não formaria a imagem como apresentada, pois a mesma deveria ser deformada na medida que entrasse em contato com as laterais do mesmo, como mencionado pelo Professor Toro. A recuperação do efeito em três dimensões é possível pela imagem ser fotográfica e não uma real representação de uma face amortalhada com a devida deformação curva.

The Real Face Of Jesus Advances in forensic science reveal the most famous face in history.
Esta representação forense mostra uma visão mais atual de um suposto Jesus de Nazaré, ao contrário da visão medieval de um cristo europeu, como o do sudário, na qual os cabelos lisos está na horizontal e não caídos para trás, como seria de se esperar.

Imagem em 3 D ampliada.


A alegação de que a imagem se formou com o suor e sangue de Cristo, provocado pelo sofrimento, não parece razoável. O suor misturado com sangue, mais o sangue propriamente dito e a linfa que escaparia dos coágulos deveriam se comportar como líquidos. Afirma-se que seria uma grande honraria que os seus seguidores, pescadores humildes, fizeram ao comprar uma enorme peça de linho que na época sairia caríssima. Mas não se entende que não tenham banhado o mesmo antes de colocá-lo na mortalha tão cara. E se não fizeram, deveriam as manchas serem mais pronunciadas do que uma tênue imagem fotográfica.

Outra fantasia sugerida é de que a imagem teria se formado por irradiação de algum tipo, emanada do corpo, deformaria a imagem ainda mais, pois a irradiação seria feita em todas as direções e não na forma de raios concentrados numa película de impressão. Assim, os lados que caem sobre o cadáver